Homens que permanecem fiéis em um mundo infiel

0
3

Homens que permanecem fiéis em um mundo infiel

Vivemos em um tempo em que somos constantemente convidados a nos adaptar. A cultura muda, os valores mudam, os comportamentos mudam e, muitas vezes, aquilo que antes era considerado errado passa a ser tratado como algo normal.

Essa pressão também alcança os homens cristãos.

Ela está no ambiente de trabalho, nas amizades, nas redes sociais, nas conversas do dia a dia e até dentro de casa. E nem sempre aparece de maneira clara. Raramente alguém vai chegar e dizer diretamente: “Abandone sua fé”. Na maioria das vezes, a mudança acontece aos poucos, por meio de pequenas concessões.

É assim que muitos afastamentos começam.

Uma conversa que parecia sem importância. Um conteúdo que decidimos consumir. Uma amizade que começa a influenciar nossas escolhas. Uma atitude errada que justificamos porque “todo mundo faz”. Uma situação em que preferimos ficar calados para não parecermos diferentes.

O problema é que aquilo que parece pequeno hoje pode abrir espaço para algo muito maior amanhã.

Por isso, talvez um dos maiores desafios para o homem cristão não seja simplesmente começar bem, mas permanecer fiel.

Daniel viveu em uma sociedade que queria mudá-lo

A história de Daniel, registrada no primeiro capítulo do livro que leva seu nome, apresenta exatamente esse desafio.

Daniel foi levado para a Babilônia. Ele estava longe de sua terra, de sua família e de tudo aquilo que conhecia. Agora vivia em um ambiente com outra cultura, outros costumes e outros valores.

A Babilônia não queria apenas ensinar Daniel. Havia uma tentativa de moldá-lo.

Seu nome foi mudado, sua educação foi modificada, ele aprendeu a língua e os costumes daquele lugar e passou a viver cercado por uma realidade completamente diferente daquela em que havia sido criado.

Mas, apesar de estar na Babilônia, Daniel não permitiu que a Babilônia determinasse quem ele era.

Essa talvez seja uma das melhores maneiras de resumir sua história:

Daniel estava na Babilônia, mas Babilônia não estava dentro de Daniel.

Essa realidade continua muito atual.

Nós também vivemos em uma sociedade que tenta nos dizer o que pensar, como agir e até o que devemos considerar certo ou errado. As redes sociais exercem influência, as amizades exercem influência, o ambiente profissional exerce influência.

A questão, portanto, não é simplesmente se estamos sendo influenciados. Todos somos.

A pergunta é: quem está moldando a nossa vida?

A decisão de Daniel aconteceu antes da pressão

Há um detalhe importante em Daniel 1:8: “Daniel assentou no seu coração não se contaminar.”

Daniel decidiu antes.

Ele não esperou a pressão aumentar para então descobrir quais seriam seus limites. Antes de enfrentar aquela situação, já havia estabelecido dentro de si que não abriria mão daquilo que considerava correto diante de Deus.

Isso é algo que precisamos aprender.

Muitas vezes queremos vencer a tentação no momento em que ela aparece, mas ainda não tomamos decisões importantes sobre como iremos viver.

Precisamos decidir antes o que permitiremos entrar pelos nossos olhos, quais conversas não vamos alimentar, quais ambientes podem nos enfraquecer e até onde estamos dispostos a ir.

Porque, quando deixamos todas as decisões para o momento da pressão, podemos descobrir que naquele instante já estamos fracos demais para resistir.

Uma vida firme não é construída apenas quando a tentação aparece. Ela é construída nas pequenas decisões que tomamos todos os dias, inclusive quando ninguém está vendo.

Permanecer fiel nem sempre significa seguir a maioria

Daniel poderia simplesmente ter seguido o fluxo.

Afinal, era mais fácil fazer o que todos estavam fazendo. Era mais fácil evitar problemas. Era mais fácil não chamar atenção.

Mas ele escolheu outro caminho.

E todo homem que decide viver para Deus precisa entender que, em algum momento, será necessário dizer não.

Não é fácil ser diferente. Existe uma pressão muito grande para acompanhar a maioria, para não parecer “careta”, para não ser questionado e para não ficar de fora.

Só que fidelidade e popularidade nem sempre caminham juntas.

Daniel não foi chamado para se misturar à Babilônia. Ele foi chamado para permanecer fiel a Deus.

Essa escolha exigiu coragem.

Talvez seja justamente aqui que esteja uma das maiores lições para os homens de hoje: ser homem não é ter coragem para acompanhar a multidão; é ter coragem para permanecer de pé quando a multidão se curva.

Daniel fez isso.

E o mais impressionante é que sua fidelidade não durou apenas alguns dias.

Ele permaneceu durante anos.

Reis mudaram. Governos mudaram. Circunstâncias mudaram. A Babilônia continuou sendo Babilônia.

Mas Daniel permaneceu sendo Daniel.

Ele começou fiel e terminou fiel.

A fidelidade é provada quando ninguém está olhando

É relativamente fácil falar sobre fidelidade dentro da igreja, cercado por irmãos que compartilham da mesma fé.

O verdadeiro desafio aparece em outros lugares.

Acontece no trabalho, quando todos fazem algo errado e ninguém parece ser prejudicado.

Acontece no celular, quando estamos sozinhos.

Acontece quando surge uma oportunidade financeira, mas para aproveitá-la seria necessário agir de maneira desonesta.

Acontece quando somos provocados e precisamos decidir se vamos responder com raiva.

Acontece dentro de casa, quando estamos magoados e temos a oportunidade de devolver a mesma atitude.

São nesses momentos que nossas convicções deixam de ser apenas palavras e passam a aparecer nas nossas escolhas.

Por isso, permanecer fiel exige decisões.

O caminho mais fácil nem sempre é o caminho certo.

Mais importante do que começar é permanecer

A vida cristã não é marcada apenas pelo início da caminhada. Existe algo muito importante entre o começo e o fim: a permanência.

Podemos começar animados e, com o passar do tempo, perder o foco. Podemos fazer boas escolhas hoje e amanhã começar a abrir pequenas exceções. Podemos permanecer firmes enquanto tudo está bem, mas abandonar nossos princípios quando surgem dificuldades.

Daniel nos mostra que é possível permanecer.

Ele não viveu em um ambiente favorável à sua fé. Pelo contrário. Estava cercado por uma cultura que tentava transformá-lo.

Ainda assim, não permitiu que as circunstâncias definissem suas convicções.

Essa é uma mensagem que precisa ser lembrada pelos homens cristãos de hoje.

A Babilônia continua existindo. Talvez não com os mesmos nomes e costumes daquela época, mas continua existindo uma cultura que tenta moldar nosso pensamento e nossas escolhas.

Ela estará presente na segunda-feira, no trabalho, no celular, nas amizades, nas conversas e nos momentos em que ninguém estiver olhando.

Nós não podemos simplesmente sair do mundo. Mas podemos escolher não permitir que os valores do mundo dominem nosso coração.

Podemos viver na Babilônia sem permitir que a Babilônia viva dentro de nós.

No fim das contas, a pergunta não é apenas se começamos bem.

A pergunta é: vamos permanecer?

Deus continua procurando homens que não apenas iniciem uma caminhada de fé, mas que tenham disposição para continuar nela, mesmo quando o caminho ficar difícil, mesmo quando forem diferentes da maioria e mesmo quando ninguém estiver olhando.

Porque não basta vencer uma batalha.

Não basta começar uma caminhada.

É preciso permanecer fiel até o fim.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

dezesseis − dois =