Prosseguindo Para o Alvo em Tempos de Distração

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Prosseguindo Para o Alvo em Tempos de Distração

Vivemos na era da distração. Nunca tivemos tanto acesso à informação e, paradoxalmente, nunca foi tão difícil manter o foco. São notificações constantes, preocupações diárias, excesso de compromissos, comparações nas redes sociais e uma avalanche de vozes disputando nossa atenção.

Nesse cenário, as palavras do apóstolo Paulo em Filipenses 3:12–14 soam mais atuais do que nunca.

Curiosamente, ele escreveu esse texto em uma prisão romana. Estava acorrentado, privado de liberdade e sem saber se viveria ou morreria. Humanamente, havia muitos motivos para desânimo. Espiritualmente, porém, seu coração permanecia firme. Da cela de uma prisão nasceu uma das cartas mais alegres e esperançosas do Novo Testamento.

Isso nos ensina uma grande verdade: as circunstâncias podem prender o corpo, mas não precisam aprisionar a fé.

A humildade de quem ainda está crescendo

Paulo já havia plantado igrejas, evangelizado cidades, enfrentado perseguições, sofrido açoites, naufrágios, prisões, fome e frio por causa do evangelho.

Mesmo assim, ele declara:

“Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus.” (Filipenses 3:12)

Essa afirmação revela uma das maiores virtudes da maturidade cristã: quanto mais conhecemos a Cristo, mais percebemos o quanto ainda precisamos crescer.

Paulo não vivia acomodado em suas conquistas espirituais. Seu passado não era motivo de orgulho, mas um incentivo para continuar avançando.

A vida cristã nunca foi planejada para a estagnação.

Pedro nos exorta a crescer “na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2 Pedro 3:18). Da mesma forma, Efésios 4:13 apresenta o alvo da maturidade: alcançar “a medida da estatura da plenitude de Cristo”.

A conversão acontece em um instante. A santificação, porém, dura toda a vida.

Todos os dias Deus trabalha em nós, moldando nosso caráter para que sejamos cada vez mais parecidos com Cristo.

Talvez a pergunta mais importante não seja: há quantos anos você é cristão?

A pergunta correta é:

Você está mais parecido com Jesus hoje do que estava há alguns anos?

O peso do passado impede a corrida

Em seguida, Paulo escreve uma das declarações mais conhecidas da Bíblia:

“Esquecendo-me das coisas que para trás ficam…” (Filipenses 3:13)

Naturalmente, Paulo não está falando de perder a memória. Ele fala sobre não permitir que o passado governe o presente.

Há pessoas que continuam vivendo como prisioneiras de erros antigos.

Outras permanecem presas a culpas já perdoadas.

Algumas carregam feridas que nunca trataram.

Outras vivem alimentando ressentimentos ou comparando-se constantemente com outras pessoas.

O inimigo sabe que não precisa destruir alguém que permanece olhando para trás. Basta mantê-lo parado.

Isaías registra a promessa do Senhor:

“Não vos lembreis das coisas passadas… Eis que faço coisa nova.” (Isaías 43:18-19)

Quando Deus perdoa, Ele não mantém uma lista de acusações contra aqueles que estão em Cristo.

Por isso, o cristão não deve viver carregando fardos que Jesus já levou à cruz.

A corrida da fé exige leveza.

Quem insiste em carregar o passado dificilmente conseguirá correr em direção ao futuro preparado por Deus.

O alvo nunca mudou

Depois de olhar para o passado e decidir deixá-lo para trás, Paulo fixa os olhos no futuro.

Ele escreve:

“Prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” (Filipenses 3:14)

O alvo de Paulo não era fama.

Não era reconhecimento.

Não era posição.

Não era sucesso ministerial.

Seu alvo era Cristo.

Toda a vida cristã encontra sentido quando Jesus ocupa o centro.

É exatamente isso que Hebreus 12:2 nos ensina ao dizer que devemos manter os olhos fixos em Jesus, “autor e consumador da fé”.

Vivemos cercados por distrações.

Nem todas são pecaminosas.

Muitas delas são apenas secundárias.

O problema começa quando aquilo que é secundário ocupa o lugar daquilo que é essencial.

Até mesmo atividades religiosas podem nos afastar de Cristo quando fazemos a obra de Deus sem cultivar comunhão com o Deus da obra.

O maior perigo nem sempre é abandonar a igreja.

Às vezes, continuamos frequentando cultos enquanto o coração já perdeu o foco.

O desafio da geração distraída

Nossa geração corre o risco de viver ocupada sem estar verdadeiramente comprometida.

Estamos conectados o tempo todo, mas frequentemente desconectados da presença de Deus.

Sabemos muitas informações bíblicas, porém dedicamos pouco tempo à oração, à meditação nas Escrituras e à comunhão com o Senhor.

Paulo nos lembra que a vida cristã não consiste em correr mais rápido do que os outros.

Consiste em correr na direção certa.

O foco determina a direção.

A direção determina a perseverança.

E a perseverança conduz ao prêmio que Deus preparou para aqueles que permanecem fiéis.

Conclusão

A mensagem de Filipenses 3 continua extremamente atual.

Em um mundo que disputa nossa atenção a cada segundo, Deus continua chamando seu povo para viver com os olhos fixos em Cristo.

Não permita que o passado o paralise.

Não permita que as distrações roubem sua paixão pelo Senhor.

Não permita que o desânimo interrompa sua caminhada.

Como Paulo, faça desta uma decisão diária:

“Eu prossigo.”

Prossigo porque fui alcançado pela graça.

Prossigo porque ainda estou sendo transformado.

Prossigo porque Cristo continua sendo o meu alvo.

E, enquanto Ele estiver diante de mim, sempre haverá uma razão para continuar correndo.

“Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” (Filipenses 3:13–14)

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